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E a Polícia Federal também fez seu dever de casa, ao decidir homenagear, como parte das comemorações de 45 anos de fundação, os seus ex-dirigentes. No último dia 11 de setembro, pelos 1.728 metros quadrados da sede instalada no Setor Comercial, Sul de Brasília, no Distrito Federal, passaram policiais que contribuíram para estruturação da INTERPOL no Brasil. Os que não puderam comparecer, por motivos de saúde ou por já terem falecido, foram representados por familiares. “Me emociona muito ver aqui a grande maioria dos companheiros que foram dirigentes. Com muitos tive a oportunidade de trabalhar, primeiro como agente e depois como delegado. Esse momento é um resgate histórico importante e salutar, do reconhecimento de valores e heróis que souberam levar a INTERPOL”, ressaltou o coordenador geral, delegado Alberto Lassere Kratzl. A Instituição, que chegou a funcionar em uma pequena sala com apenas cinco funcionários, dispõe hoje de um prédio com 18 salas, ocupando todo o 4º andar do Edifício Serra Dourada e dispõe de 21 servidores efetivos, além daqueles que atuam nas regionais instaladas nas 27 superintendências regionais da PF. “Não poderia deixar de agradecer à área administrativa, à Direção Geral e ao corpo de funcionários técnicos e especializados. A eles rendo as minhas homenagens por conduzir diuturnamente a INTERPOL”, acrescentou Lassere. Para fazer o resgate da sua história, a INTERPOL/Brasil inaugurou no último dia 11 de setembro a galeria dos ex-dirigentes. Da solenidade, além dos homenageados e familiares, participaram diversas autoridades entra elas o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, e o presidente do SINDEPOL, Joel Zarpellon Mazo. Segundo Luiz Fernando Corrêa, uma instituição que não cultua seus valores e heróis está condenada ao fracasso. “Gostaria que ao verem um novo diretor-geral entendam que é a continuidade do trabalho dos senhores”, destacou. O diretor-geral declarou, ainda, que as dificuldades citadas por ex-dirigentes só engrandecem a obra. “O grande mérito da Polícia Federal é que as pessoas vão passando, mas os valores são os mesmos”, enfatizou. Em nome dos homenageados, falou o ex-diretor da INTERPOL, Theotonio Madeira. “Temos reconhecimento e gratidão por esse departamento, que nos permitiu crescimento profissional e moral. Muito obrigado ao DPF e um agradecimento a todos os servidores e demais funcionários que fizeram a INTERPOL”, ressaltou.
A Organização Internacional de Polícia Criminal – INTERPOL- foi criada em 1923, a partir de iniciativa surgida no primeiro Congresso de Polícia Judiciária, realizado em 1914 no Principado de Mônaco. Inicialmente, recebeu a denominação de Comissão Internacional de Polícia Criminal (CIPC) e surgiu da necessidade de ser formado um banco de dados criminais, com o objetivo de facilitar a troca de informações voltadas à prevenção e à repressão das atividades ilegais, que estavam ultrapassando as fronteiras dos países. A Secretaria-Geral da Interpol localiza-se em Lyon -França e é composta por 186 países-membros, onde em cada um deles está instalado um Escritório Central Nacional, normalmente nas capitais. A INTERPOL/Brasil foi criada através de decreto em 1962. A Coordenação Geral situa-se em Brasília. A comunicação de dados entre os países membros é realizada por vários meios, entre eles uma rede exclusiva de computadores, que utiliza um sistema seguro de correio eletrônico, proporcionando uma interligação ‘on line‘ para transmissão de textos, imagens fotográficas e similares. O Sistema Mundial de Comunicação utiliza ferramentas complexas e é equipado com tecnologia avançada, denominado I24/7, ou seja, a Interpol atuando 24 horas por dia, 7 dias por semana, durante os 365 dias do ano.
Atualmente a INTERPOL/Brasil encontra-se estruturada dentro da Coordenação Geral de Polícia Criminal Internacional, criada pelo DPF, e subordinada a DIREX - Diretoria Executiva do Departamento. Em 1996, foram criados em todos os estados brasileiros as representações regionais, em cada uma das 27 Superintendências Regionais do DPF, com o objetivo de descentralizar e agilizar a troca de informações, funcionando como órgão de ligação das autoridades judiciárias, policiais e outros organismos locais, com a coordenação geral. A Instituição atua em diligências para localização e prisão de estrangeiros em território nacional, para fins de extradição, e no combate aos crimes transnacionais como pedofilia, tráfico de pessoas e tráfico de drogas.
(in memorian) 1962/1963
EDISON LASMAR 1963/1965 “Esta honraria tocou fundo meu intimo e permanecerá indelével pela modesta colaboração que pude prestar para ser o que ela hoje é na Comunidade de Polícia Criminal e Internacional. Mais do que nunca a INTERPOL se torna imprescindível no trabalho de enfrentamento de quem se entrega à prática de delitos”.
THEOTÔNIO MADEIRA DIAS 1966/1969 “Tivemos as dificuldades de quem está iniciando e isso é normal, mas foi desenvolvido, por todos, um excelente trabalho. Todos esses diretores deram uma contribuição fundamental para aprimorar a INTERPOL”. PAULO NASI BRUM 06/02/1969 a 14/06/1973 “As dificuldades eram imensas, mas a INTERPOL evoluiu significativamente e hoje vejo que está em boas mãos. Cada um fez o seu pouquinho para chegar ao que é hoje”.
15/06/73 A 02/1976 1980/1982 “Essa homenagem representa o resgate dos valores e a lembrança dos que ajudaram a construir o Departamento.É um momento de grande emoção para mim, porque meu pai tem uma história de relevantes serviços prestados e eu modestamente tento continuar”. Rômulo de Berredo Menezes, que representou o pai na solenidade.
DANTE NARDELI (in memorian) 1976/1978
VALMORES VICTORINO BARBOSA (in memorian) 1978/1980
EVANDRO ANDRADE BASTOS 1982/1985 “Tive momentos importantes à frente da INTERPOL. Procuramos resgatar seus arquivos e aprimorar o seu funcionamento, dando uma contribuição para o Departamento de Polícia Federal e para a polícia criminal internacional”.
ROQUE DIAS DA SILVA 1985/1988
HERCILIO DE FAVERI FILHO 1988 “É uma homenagem importantíssima para nós que fizemos a história da INTERPOL. A instituição hoje tem um papel fundamental no combate aos crimes que dizem respeito à comunidade internacional”.
EDSON ANTÔNIO DE OLIVEIRA Agosto de 1988 a janeiro/1994 “É um momento muito importante, marcado por uma emoção indescrítivel, por estarmos resgatando valores policiais que contribuíram para a Polícia Federal e a INTERPOL serem o que são hoje”.
WASHINGTON DO NASCIMENTO 05/04/95 A 05/02/2003 “Foi um período bastante profícuo. A INTERPOL atuava, como continua atuando, em delitos como tráficos de seres humanos, exploração sexual e outros. Tivemos avanços marcantes para a história do Departamento de Polícia Federal”.
ARMANDO DE ASSIS POSSE 10/02/2003 a 21/12/2003 “É uma grande satisfação estar com a maioria dos colegas e estar recebendo essa homenagem. Nós deixamos a coordenação por força de convite do Secretário Geral da INTERPOL, para ser o chefe da sub regional para a América do Sul, em Buenos Aires”.
ROBERTO PRECIOSO JUNIOR 2004/2005 “Fico sensibilizado com essa homenagem especial. Estamos resgatando a memória da INTERPOL no Brasil. Todos os meus colegas estão de parabéns por tudo que fizeram ao longo desses anos”.
Phoenix - O senhor está deixando a INTERPOL para assumir como adido na Colômbia. Como avalia sua gestão? Lassere - Foram dois anos e alguns meses bastante proveitosos. Em 2005, tivemos a prisão de 52 estrangeiros para fim de extradição. Em setembro de 2006, foi realizada, no Rio de Janeiro, a Assembléia Geral, considerada pela INTERPOL a maior assembléia geral de todos os tempos, com a presença de 152 dos 186 países membros e mais de 700 delegados estrangeiros. A própria delegação brasileira foi a maior da história, em torno de 80 pessoas, entre superintendentes, diretores de polícia, desembargadores, juízes, membros do Ministério Público, dentre outros.
Phoenix - Quais foram as principais deliberações dessa Assembléia? Lassere - Definição de estratégias para o combate à criminalidade. Mais uma vez, foi dada ênfase à pedofilia, aos crimes cibernéticos, tráfico de pessoas, tráfico de drogas, terrorismo e também, a grande novidade, foi a interligação dos 186 países no sistema mundial de comunicação, que é o sistema I24/7 da INTERPOL. Faltava apenas a Somália, que é um país muito pobre. A Secretaria Geral está subsidiando essa instalação e hoje estamos ligados aos 186 países através de uma Intranet própria, com toda a segurança. Phoenix - Que avanços trouxe esse sistema? Lassere - A INTERPOL tem um sistema mundial com aproximadamente 600 milhões de dados, que abrangem criminosos nas diversas áreas. Um país pode solicitar informações ao banco de dados e imediatamente terá a resposta. Se tiver dúvida sobre o comportamento criminoso de um cidadão, basta passar um sistema I24/7. Ele funciona, como o próprio nome diz, 24 horas no dia, sete dias por semana. O atendimento a essas demandas é imediato. Por esse banco, nós podemos receber fotografias e podemos também receber impressões digitais para confrontar se essa pessoa que está presa é realmente a pessoa que está sendo procurada. É um sistema muito moderno.
Phoenix - Funciona desde quando? Lassere - Já implantado, desde 2003 no Brasil. Nos outros países, foi sendo implantado gradativa- mente. Para ter idéia da importância do Brasil nesse contexto, nós fomos o 13º país a implantar o sistema. E agora temos planos de estender esse sistema para todas as unidades do DPF e futuramente estender para outros órgãos como a Receita Federal e as polícias dos Estados para que possam ter acesso. Até o final do ano, estaremos adquirindo novos equipamentos para atender a essa demanda. Acho que isso representará um avanço significativo, porque todas as secretarias de Segurança Pública poderão credenciar policiais para serem oficiais de ligação e assim terem acesso a esse banco de dados. De qualquer maneira, temos 27 representações regionais, uma em cada capital, todas localizadas nas sedes das superintendências, e as polícias civis e militares podem fazer consultas a qualquer momento. Phoenix - Falando em regionais, qual o investimento que tem sido feito na estruturação dessas unidades? Lassere- Primeiro, a criação de um estágio em polícia criminal internacional. Todo mês, atendemos pelo menos seis policiais de todas as superintendências, em caráter de rodízio, para fazer um estágio em Brasília de um a dois meses. Nossa proposta também é estender esse estágio aos delegados, mas em período mais curto, para que eles possam saber os mecanismos de cooperação policial, bem como os mecanismos de cooperação jurídica que são de responsabilidade da Coordenação Geral de Polícia Criminal Internacional.
Phoenix - Qual o efetivo da INTERPOL Brasil? Lassere - Temos um efetivo fixo, que é pequeno em relação ao que necessitamos. São 21 funcionários administrativos e 14 policiais.
Phoenix - Quais os crimes que mais combate? Lassere - A INTERPOL estabeleceu cinco prioridades: tráfico de pessoas, pedofilia, crime cibernético, terrorismo e tráfico de drogas.
Phoenix - Quais são os seus parceiros em nível internacional? Lassere - Temos um acordo com a ONU de combate ao terrorismo e trabalhamos com diversos organismos internacionais, como a Organização Internacional de Aviação Civil, associações de chefes de polícias e diversos outros organismos que atuam no combate aos crimes transnacionais.
Phoenix - Qual a sua expectativa em relação ao trabalho de Adido em Bogotá? Lassere - É dar continuidade ao trabalho que foi feito pelos meus antecessores e incrementar essa ligação com as unidades policiais daquele país, bem como assessorar o embaixador, que é minha função maior, nas áreas policial e de segurança pública.
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