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No início era a intuição. Depois veio a coleta de dados. Agora, para que o sucesso possa de fato acontecer, há que se ter agilidade suficiente para tratar esses dados coletados, na medida certa das necessidades operacionais e jurídicas envolvidas. A cada dia, mais e mais, os profissionais envolvidos em segurança pública necessitam ter formas ágeis de tratar os grandes volumes de informação em que se baseiam para decidir se algo está errado, se uma pessoa ou grupo é responsável por determinado ato e, se uma operação policial deve ser executada de imediato ou não. Nesse sentido é que vemos com grande alegria a difusão de ferramentas de suporte a essa atividade. Equipamentos de posicionamento por satélite, comunicação de voz e dados, sistemas de auxílio à identificação pessoal (biometria) e para a análise criminal. Aqui vamos nos ater a dois pontos específicos: análise criminal – mais propriamente a Análise de Vínculos e a Biometria de Voz. Hoje, não se concebe que um analista de segurança pública, seja ele ligado ao setor de inteligência ou à atividade policial, execute suas tarefas sem o auxílio de sistemas de apoio como o Analyst´s Notebook e iBase. Ferramentas grandemente difundidas no setor, contam com a experiência para o seu desenvolvimento de equipes multidisciplinares que envolvem analistas de sistemas, analistas de bancos de dados e policiais com renomado conhecimento, por longos anos dedicados a esse fim. Aqui, para destacar o rumo que elas vêm tomando, vamos destacar um produto que vem trazendo grandes benefícios às instituições de segurança pública que lidam com volumes de dados, dispersos em bases de dados locais e remotas.
Um significativo avanço pode ser notado em investigações realizadas ao redor do mundo, em especial no Brasil. Desde as melhorias nas técnicas investigativas até a aplicação de softwares de análise visual, os investigadores têm resolvido casos muitas vezes incompreensíveis, devido à complexidade e às muitas variáveis envolvidas nos atos ilícitos. O uso da alta tecnologia tem sido um poderoso aliado no Combate ao Crime Organizado, em especial um software chamado i2 Analyst’s Notebook, criado no início da década de 90, considerado indispensável por mais de 4.000 (quatro mil) organizações públicas e privadas, na aplicação da Lei. Entretanto, com o aumento significativo do volume de dados a serem analisados e, com o crescente número de bases de dados existentes nas organizações, muitas vezes em localidades distintas, ficaram evidentes algumas situações indesejáveis: • Dificuldade em acessar informações armazenadas em diferentes tecnologias de bases de dados; • Inexistência de software que permitisse analisar visualmente conteúdos oriundos de várias fontes de informações; • Demora na identificação de possíveis dados duplicados nas diversas bases de dados, tais como: pessoas, telefones ou veículos; e, • Necessidade de realizar consultas separadamente em diversos sistemas de informação, com diferentes formatos, gerando por exemplo, demora e dificuldade de obter a informação desejada. O i2 iXa foi desenvolvido norteado por sugestões de investigadores de diversas partes do mundo, justamente para atender a estas necessidades identificadas como fator crítico para o sucesso nas resoluções de casos complexos. Agora, já é possível acessar e analisar informações localizadas em qualquer lugar do mundo, independente da tecnologia de base de dados utilizada, obviamente após autorização dos gestores destas informações. Ao investigador cabe informar o que deseja localizar (o sobrenome de uma pessoa, parte de um número de telefone ou o número de uma conta bancária). Daí então, o i2 iXa acessa as bases de dados disponíveis e exibe todos os vínculos existentes no software i2 Analyst’s Notebook, como no exemplo de uma pessoa investigada, conforme ilustração a seguir: Estas são algumas das funcionalidades disponíveis no i2 iXa. Agora, as instituições brasileiras têm um novo grande aliado na aplicação da Lei, que possibilita o acesso e cruzamento de informações de facções criminosas e seus integrantes ou qualquer outro tipo de informação relevante para as investigações. Em suma, uma ferramenta capaz de mapear e combater o Crime Organizado, viabilizando ações pró-ativas. O software i2 iXa é comercializado pela empresa Tempo Real (www.trgroup.com.br), representante exclusiva dos softwares i2 no Brasil. Outra área que vem ganhando dimensão no ambiente de segurança pública é a de Biometria de Voz. Seu objetivo é ser mais uma forma de identificar, inequivocamente, uma pessoa da mesma forma do teste de DNA e das impressões digitais. No Brasil, para uso nas instituições de segurança pública, já dispõe-se de ferramentas, com origem na Espanha, que contaram com o desenvolvimento conjunto da Escola Politécnica de Madri e da Guarda Nacional da Espanha. Seu nome: BATVOX. Para ilustrar a importância deste tipo de ferramenta, podemos citar o caso recente do traficante colombiano – Juan Carlos Ramirez Abadia - preso em São Paulo, em agosto deste ano, que somente pode ser identificado por sua voz, posto que havia se submetido a um grande número de cirurgias plásticas, as quais mudaram em muito suas características faciais.
A Verificação Automática do Locutor (ASV – Automatic Speaker Verification) é o uso de sistemas computacionais para certificar que uma voz corresponde a uma determinada identidade suspeita. Os produtos de biometria de voz atendem às necessidades de determinar uma identificação (positiva ou não), no menor espaço de tempo. A biometria de voz se baseia na verificação da identidade de um locutor, através das características físicas do trato vocal ao invés da forma como ela fala um texto. Ela determina o modelo correspondente à emissão de sons, por parte de uma pessoa, com base nas características corpóreas que possua. Isso identifica uma única pessoa, até que um dos elementos envolvidos sofra alteração. O BATVOX é um software que modela o conjunto de sons produzidos por um ser humano, atribuindo-lhe uma identificação única, baseada nas suas características corporais, para permitir posterior identificação face a um modelo apresentado. Destinado ao segmento de peritos criminais, deve ser combinado com técnicas clássicas, para ser o mais completo possível. Logo, não se pretende que o perito seja substituído pela máquina, mas sim que seja por ela auxiliado. O BATVOX permite uma análise objetiva, pois independe dos conhecimentos intrínsecos do perito; não obriga o perito a conhecer o idioma que está sendo utilizado pelo locutor; permite trabalhar (com rapidez) sobre várias amostras de áudio e, permite o cálculo de LR (Likelihood Ratio) com uma grande quantidade de dados, respeitando a mesma metodologia de cálculo utilizada para os sistemas AFIS e DNA. O núcleo do BATVOX deu origem a outras duas ferramentas: O ASIS e o BS3. Essas ferramentas, diferentemente do BATVOX, destinam-se à área operacional. O ASIS – Automatic Speaker Identification System - é um Sistema de Identificação de Locutores, orientado à identificação de uma voz dentro de um Banco de Vozes já existente. Nele, uma voz desconhecida é comparada com uma base de modelos de vozes, de pessoas já cadastradas ou relacionadas com delitos anteriores. As vozes que serão adicionadas à base são modeladas com o BATVOX e podem ser oriundas de várias fontes, como: DVD, fitas VHS, telefonia fixa, telefonia celular ou gravação normal. Já está em uso, em alguns países europeus, a captação da voz quando da ocorrência de um delito e seu registro na delegacia policial, da mesma forma que se faz com a foto ou recolhimento de digitais. A verificação de um modelo sobre uma base de vozes existente, permite atribuir como sendo verdadeira (ou não) a imputação de um ato a uma pessoa – como se tem no caso de seqüestro relâmpago. O BS3 – Biometric Speaker Spotting System – é um Sistema de Detecção de Locutores, que busca identificar uma ligação – dentro de um fluxo de interceptação, cuja voz de um dos interlocutores corresponda ao modelo de voz ali colocado. Nele, fluxos de áudio, de pessoas desconhecidas (as ligações interceptadas), são comparados com um modelo de voz conhecido (o nosso alvo), para detectar e destacar somente a chamada da pessoa que nos interessa. Isso, por si só, preserva os direitos individuais de todos os outros que fazem utilização daquela(s) linha(s) telefônica(s). Claro que existem outras funcionalidades embutidas como, por exemplo, a definição de scripts para cada modelo inserido (pois pode trabalhar com vários modelos ao mesmo tempo). A evolução tecnológica vem determinando o sucesso de muitas áreas como a educação, medicina e engenharia. Logo é de se esperar que tais benefícios sejam estendidos ao segmento de segurança pública. É isso que vemos com as ferramentas de análise de vínculos da i2 e de biometria de voz da Agnitio. Não basta ter o profissional melhor qualificado se as ferramentas que ele utiliza produzem resultados abaixo do esperado pela organização e pela sociedade. A Tempo Real – Tecnologias de Informação, que vive em busca constante da excelência, no emprego e difusão de melhores práticas para sistemas de apoio à investigação, mantém contratos de representação (com exclusividade) junto a essas empresas para o mercado brasileiro. Costumeiramente, qualifica seus técnicos junto aos produtores desses softwares, para melhor atender às necessidades das diversas instituições clientes. Empresa 100% de capital brasileiro, situada no Rio de Janeiro, atende instituições em todo o território nacional, seja pela manutenção de equipes locais nos maiores centros utilizadores, ou através de deslocamento dos profissionais nas demais regiões.
Marcelo Bandeira e Renato Lira
Muito esclarecedora para a opinião pública a matéria “O espião britânico”, publicada pelo “Correio Braziliense” em nove de janeiro de2008. Ela refere o software (i-2) que vem sendo utilizado peloDepartamento de Polícia Federal (DPF) do Brasil, empregado por aquela instituição policial no sentido de possibilitar a determinação daautoria e materialidade de delitos de alta complexidade, o que talvez ajude a explicar um pouco os sucessos expressivos que o DPF vem tendonos últimos anos. Certamente, entretanto, o DPF e outras instituições policiais do país, caso da Polícia Civil de Distrito Federal (DPF), estão hoje ombreadas com as melhores instituições congêneres de países desenvolvidos, no que tange a utilização de instrumentos tecnológicos “de ponta” em prol da moderna investigação criminal. A chamada “análise de vínculos” tem um papel destacado nisso. Talvez sejainteressante discorrer brevemente sobre a técnica (maneira de fazer) que a nova tecnologia (instrumento do fazer) apontada pelo “Correio” permite utilizar de maneira ainda mais eficaz. Uma das características dos fraudadores modernos é a energia por eles devotada para a simulação (parecer que é o que não é...) e dissimulação (parecer que não é o que realmente é) do que fazem. Em termos concretos, a simulação e a dissimulação são possíveis graças ao emaranhado de registros que envolvem transações financeiras, licitações, comprovantes de renda e até mesmo instrumentos legais, que, articulados com tudo mais, produzem beneficio ilícito para este ou aquele indivíduo. É enorme o grau de dificuldade para perceber um crime sendo perpetrado em tal contexto. Juntar todo um emaranhado de registros, ordenando-os de maneira concatenada e inteligível é um velho ofício dos investigadores de delitos de alta complexidade. Naquele sentido, a análise de vínculos ou de relações é o instrumento classicamente consolidado em prol da percepção e concatenação entre objetos e meios instrumentais do crime. Ela permite algo semelhante ao que faz o olho humano ao contemplar um quadro pontilista com milhares de diferentes pontos matizados de cores, mas que guardam uma mensagem gráfica lógica em pontos de uma só cor, apenas distinguida com especial atenção e concentração daquele que contempla. É um enorme avanço tecnológico poder fazer algo semelhante em meio a um emaranhado de registros financeiros, contratos, extratos e toda sorte de outros documentos mais, visualizando ao final apenas o que aponta a materialidade e autoria de um determinado delito ou série deles. Uma outra forma de compreender como funciona a moderna investigação de delitos de alta complexidade com a análise de vínculos, é imaginar poder encontrar, compreender, visualizar e depois representar graficamente todas as conexões de interesse entre entidades empenhadas no chamado “crime do colarinho branco”. A representação gráfica final se constitui em um verdadeiro “apelo” à inteligência visual, tipo de mecanismo cognitivo universalmente superior, em termos de compreensão, aos da inteligência verbal ou matemática, já os dois últimos demandam dons especiais e específicos por parte do analista ou mero observador do fenômeno. A investigação criminal tem na busca da descoberta e determinação precisa de padrões (atributo de entidades que guardam alguma similitude) uma das suas atividades focais clássicas. Várias são as técnicas utilizadas nesse sentido, estando objetivadas atualmente sobre conjuntos de registros de ligações telefônicas, redes de interação social (amigos, clientes, parentes, etc.), redes de registros eletrônicos de transações financeiras, organogramas de hierarquia entre pessoas e várias outras entidades coletivas mais. Assim, a análise de relações ou de vínculos é feita desde muito tempo, só que de maneira “trabalho- intensivo”, sendo vulgarmente conhecida no meio policial brasileiro pelo nome dado ao seu produto gráfico final de representação, “bolotário” (teias gráficas desenhadas em paredes ou enormes colagens de papel). O que ontem era possível assim realizar com o concurso de vários investigadores e de enormes quantidades de tempo, passou a ser praticamente impossível em tempos modernos, quando milhares ou bilhões de dados são gerados e arquivados eletronicamente em computadores de toda espécie e neles guardados seguramente sob os mais diversos códigos de segurança e linguagens computacionais. A contrapartida tecnológica da segurança pública são os instrumentos de análise também computacionais, caso do software i-2 comercializado no Brasil pelo grupo Tempo Real. O aplicativo i-2 é hoje utilizado inclusive em campos de batalha, conforme vem ocorrendo regularmente no Iraque, quando da identificação de suspeitos de atividades insurrecionais daquele país. Ele também é empregado em atividades de Inteligência voltadas para o controle do terrorismo, caso do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos da América em seus esforços contemporâneos de repressão a movimentos radicais. Curiosamente, até mesmo o setor privado passou a beneficiar-se dessa mesma tecnologia, utilizando-a para o controle de fraudes e outros delitos com incidência sobre o patrimônio privado. É a tecnologia de controle dando resposta ao desafio de conter uma criminalidade que também faz uso de tecnologia... São os novos ”mocinhos e bandidos” da iconografia do “bem contra o mal”, mas que passam agora a guerrear com as armas da era high-tech”...
George Felipe de Lima Dantas
Diretor
do Instituto Brasileiro de Inteligência Criminal INTECRIM
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