|
Ao se fechar o primeiro mês, após o primeiro semestre deste ano, e ao visualizarmos os fatos inerentes a atuação policial em nosso País, deixou-nos em um misto de angústia e apreensão sobre tudo o que vem ocorrendo em um espaço de tempo tão diminuto e em um potencial avassalador no que concerne aos provimentos legais que anteparam os procedimentos de polícia judiciária aos seus objetivos, diante da razão precípua da polícia, o combate ao crime. Se há neste momento alguma atitude inteligente na nossa polícia, essa é a abstenção de tendência política. Pelo menos fico gratificado ao ver que a maioria de nossos policiais está se preservando para o futuro, se recusando a colaborar com a corrupção moral avassaladora que vem corroendo o país. Paginando os periódicos da mídia brasileira nesses dias de julho e agosto de 2008, percebi as tendências e seus contrapontos encimadas em polêmicas da atuação policial no combate a corrupção. Deleite-me com a dúvida de se deviam seguir com a comoção popular favorável ou com os interesses de determinadas classes dominantes deste País. Mas, quando gradativamente me aprofundava diante de leituras seguintes, percebi com terror que esbravejavam que a polícia havia se tornado uma vilã e o vilão, pobrezinho, estava sendo subjugado pelo tal intitulado estado policial. Terror maior foi ver que a Corte Suprema do País, a guardiã da Constituição, atropela esta, além de tecer criticas a atuação policial, para “legislar” sobre condutas policiais já legisladas e alicerçadas pelo costume nacional, e ademais, aceitas essas condutas pela majoritária população, simplesmente buscando evitar a exposição da imagem do vilão quando na contenção do estado, no caso, algemado, se for só isso mesmo. O espanto, foi ver que de uma atuação policial, jurídica e democraticamente correta, embasada nas legislações vigentes do estado democrático de direito, princípio maior do País, só por haver colocado à lume certos poderosos (criminosos) da sociedade brasileira como comuns, as leis começaram a se contorcer diante de hermenêuticas e transformar-se em amarras de proteção a exposição destes nas condutas policiais, onde em tese, todos deveriam ser iguais perante a lei. Começaram a privatizar o interesse público em detrimento do verdadeiro anseio público, prenúncio de que as pedras do alicerce democrático começam a ruir e chego até a por em dúvida a concretização do sonho de uma polícia republicana, de estado. Para a nossa admirada Polícia Federal sair ilesa dessa teia que se tece em torno dela, só resta acreditar que uma comoção popular ou um lampejo de visão administrativa dos gestores de então, ou quiçá, de nossos parlamentares, ponham na plenária do Congresso Nacional o Projeto de Emenda Constitucional nº37, que ora tramita no Senado Federal, aprovando a tão esperada reestruturação da Polícia Federal, onde concedendo a esta sua autonomia administrativa, financeira e orçamentária, materializarão o sonho da existência de uma polícia verdadeiramente de estado, do povo e para o povo, a exemplo do Ministério Público que só veio de fato a satisfazer a opinião pública, após a constituição de 1988, a qual concedeu a este as almejadas autonomias que ora recorre, para sobreviver, a Polícia Federal, e para não se deixar ser transformada em uma polícia para os três pês (para p,p e p). Ser policial é sacerdócio, é saber passar as intempéries acreditando em sua missão e não se deixar corromper, pois as gestões passam e a polícia fica, ela sempre será necessária, até para fazer seu papel diante, quem sabe, dessas gestões passadas. O Magazine PHOENIX vem, nesta edição, alçando o vôo a que sempre se propôs, ou seja, a cada novo vôo uma performance melhor e, com as matérias e respectivos autores que nesta se apresentam, solidifica essa propositura e o espaço que objetiva assumir, espaço que no mundo da mídia brasileira se encontrava em um certo vácuo. A polícia e a Segurança Pública em sua essência, é a busca do nosso mister, a participação de nossos parceiros é a nossa materialidade, e a vossa leitura é a nossa consagração.
Fraternal Abraço.
JOEL ZARPELLON MAZO Delegado de Polícia Presidente do Sindepol/Brasil
|
© Copyright 2008 Phoenix Editora. Todos os direitos reservados.