Sabe aquela ajuda que um amigo pede para sair de uma situação difícil. Nada de mais: só uma “mentirinha”. Pois é, esta “mentirinha” pode colocá-lo numa enrascada, ou melhor, em uma situação capaz de comprometê-lo criminalmente. Quem alerta para esse perigo é o procurador da República Guilherme Zanina Schelb que lançou, no início do mês de agosto, o livro Viver é Coisa Perigosa: orientações para soluções de conflitos, pela Thesaurus Editora.

A idéia inicial era escrever um livro contando os bastidores de operações de repercussão nacional e internacional de combate ao crime organizado das quais o procurador participou, entre elas o escândalo do Banco Marka, a privatização do Banespa, Operação Anaconda e Vampiro.

“ Eu pensei em escrever um livro com os bastidores, contando as dificuldades, contando aquelas coisas que nunca são publicadas. Mas, pensei que, talvez, não fosse ajudar as pessoas tanto assim e acabei mudando o meu direcionamento. Ao invés de contar algo que pudesse gerar algum tipo de constrangimento ou reação, eu preferi traduzir essa experiência para orientações ao cidadão comum”, lembra ele.

O livro, segundo o próprio procurador, é um manual para se proteger da injustiça. Nele, dá dicas para as mais variadas situações de risco e cita (sem colocar nomes) alguns casos que chamaram sua atenção. Schelb começou a observar os erros mais comuns que prejudicaram as pessoas.

O objetivo principal do livro é orientar, de forma prática, a identificação de comportamentos e ambientes de risco e o alcance de soluções pacíficas em conflitos pessoais, profissionais e familiares.

“Pessoas honestas foram envolvidas em processos criminais, inquéritos policiais e até condenações. Elas erraram ao se relacionar com pessoas erradas, até para ajudar amigos, principalmente para ajudar amigos. Refiro-me a juizes, delegados, promotores, advogados, jornalistas e pessoas comuns do povo. Enfim, todos nós estamos sujeitos a um tipo de situação, que se a gente não tiver um comportamento seguro, no futuro aquilo pode voltar contra nós”, alertou.

As orientações e os casos reais apresentadas em Viver é Coisa Perigosa, segundo o autor, servem para que o leitor “desenvolva e aprimore suas estratégias pessoais de segurança”. Conforme Schelb, alguns princípios são universais, mas a ação é sempre individual e única. “Não há receita pronta”, enfatizou.

No livro, o procurador cita casos como de um policial que praticou crime de corrupção, foi preso, se arrependeu e terminou ficando rico em pouco tempo após escrever um livro contando sua experiência como policial e sua vida na cadeia. Esse exemplo, o procurador utiliza para lembrar que “nem sempre é possível mudar a realidade. Mas você sempre pode mudar a atitude mental diante dos problemas”.

Dentre as tantas orientações apresentadas no livro, está a de que é muito bom tomar cuidados com presentes ou favores, porque estes podem custar muito caro no futuro. “Não aceite nunca um presente ou favor de um desconhecido. É preciso saber qual o interesse de alguém em dar a você um presente ou benefício. Muitas pessoas fazem um pequeno favor, já imaginando pedir algo muito maior no futuro”.

Com as situações citadas, Schelb procura demonstrar que é possível evitar muitas situações de conflito. “Algumas vezes, a causa principal do conflito é o nosso próprio comportamento. Nem todos os nossos adversários são maus e desonestos. Utilizando estratégias inteligentes, nós sempre podemos alcançar soluções pacíficas para os conflitos”, ressalta. Buscar o momento certo de falar, usar as palavras de forma adequada, preservar sua vida pessoal são algumas das recomendações do autor.

Embora tenha sido lançado há pouco tempo, o livro desperta o interesse dos mais variados segmentos sociais, a exemplo de alunos de uma escola pública do município de São Sebastião, que fica a aproximadamente 30 quilômetros de Brasília. Os estudantes não só leram o livro como puderam participar de um debate com o autor.

“Os alunos dessa escola, segundo a diretora, leram o livro e tiveram a idéia de fazer jogos com orientações contidas nele”, destacou Guilherme Schelb. Aliás, falar para o público, procurar repassar estratégias de prevenção não é uma novidade na vida do procurador que já foi promotor de justiça da Infância e da Adolescência do Distrito Federal.

Ele tem diversos trabalhos realizados e é idealizador do Programa Proteger - Programa Nacional de Prevenção da Violência e Criminalidade Infanto-Juvenil (www.programaproteger.com.). É palestrante sobre Estratégias para Prevenção da Violência em escolas, universidades, hospitais, polícias civil e militar, igrejas e empresas. É autor do livro Violência e Criminalidade Infanto-Juvenil e também da coleção em quadrinhos Crianças e Adolescentes que orienta profissionais e pais a prevenir a violência infanto-juvenil.

 

Andréa Viegas

 

 

 

 


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