SÍMBOLO


 

Ali, como um pequeno escudo protetor do coração, repousa o símbolo maior da polícia

A cena é comum nos filmes policiais de Hollywood. No ato da suspensão de um policial, o chefão se dirige ao subordinado com as seguintes palavras: “Entregue-me a arma e o distintivo”.

A seguir, vemos um policial cabisbaixo. Não porque se despediu da arma, que pode ser comprada com certa facilidade nos EUA, mas obviamente porque deixou para trás seu maior símbolo de identificação com o trabalho de defensor da lei: o distintivo. Sem ele, o policial se sente despido profissionalmente, incapaz de agir dentro dos padrões da corporação.

Aqui no Brasil o valor conferido ao distintivo é o mesmo, se não maior. Entre os policiais federais, a nomenclatura foi elevada ao status de emblema, já que o Dicionário Aurélio oferece uma explicação mais ampla ao termo. O emblema, segundo o Aurélio, é um objeto que simboliza uma idéia abstrata, uma coletividade, uma autoridade, isto é, uma figura simbólica que se apresenta como o sinal de uma instituição, de uma associação, partido, etc.. Distintivo e insígnia são sinônimos de emblema, porém com significados mais restritos.

As polícias Militar e Civil de cada Estado também ostentam seus símbolos, mas o alcance está limitado às fronteiras que recortam o País. Já o símbolo máximo da Polícia Federal ultrapassa as demarcações regionais, sendo conhecido do Rio Grande do Sul ao Amapá, do Acre à Paraíba.

O emblema pode ser visto nos carros que trafegam próximos da superintendência localizada na Lapa de Baixo, em São Paulo, ou perto da delegacia na rua Barão de Miracema, no Centro do Rio, ou ainda circulando pela rua Pero Vaz de Caminha, em Porto Seguro, Bahia. Enfim, o brasão está presente em todo o território nacional.

O emblema aparece em bandeiras, carros e também pintado nas paredes das delegacias. Para o policial federal, o maior orgulho é carregar o distintivo metálico junto à carteira de identidade funcional. Ele está ali, do lado esquerdo do tórax, protegendo o coração. Inclusive já salvou a vida de um delegado alvejado por uma bala (veja texto a seguir).

Suas cores são ouro e vermelho. A primeira, segundo o delegado José Francisco Mallmann, simboliza fé, constância, firmeza, poder e autoridade. Já a cor vermelha representa ousadia, coragem, esforço e segurança, características inerentes ao trabalho na instituição. O distintivo é feito de latão banhado a ouro, na forma do escudo polonês. Ao centro estão as Armas Nacionais. Com ele, o policial tem livre acesso aos locais sob fiscalização policial em todo o País.

Criado oficialmente em 1967, o emblema da Polícia Federal se popularizou entre os brasileiros, sendo reproduzido maciçamente para uso pessoal, por se tratar de um objeto bonito e relacionado ao poder. Tamanha foi sua exposição que, em 1989, um decreto federal passou a proibir sua fabricação ou reprodução sem a autorização do Diretor-Geral da PF.

Para Mallmann, o emblema tem-se mostrado praticamente um símbolo de sacerdócio entre os policiais. “O sonho de pertencer à Polícia Federal só se torna realidade quando, num dia memorável, durante uma inesquecível solenidade, recebemos esse documento que nos identifica como policial federal”, diz ele. “É o nosso prêmio, nosso verdadeiro troféu, o símbolo de uma vitória.”

 

 

No dia 7 de março de 1991, o delegado Luiz Carlos Zubcov, da Delegacia Fazendária de São Paulo sacou uma grande quantia em dinheiro numa agência da Caixa Econômica Federal localizada no bairro de Santa Ifigênia, região central da capital paulista.

Ele transportava o dinheiro em direção a uma agência do Banco Real próxima dali, acompanhado do delegado Jairo Rolim Cacenote, também da Delegacia Fazendária.

Na sempre movimentada esquina das Avenidas Rio Branco e Ipiranga, foram abordados por assaltantes armados. Zubcov teve de partir para o confronto corporal com um dos bandidos, que atirou três vezes contra o delegado. Um tiro pegou de raspão na perna, furando sua calça, outro se perdeu e um terceiro foi à queima-roupa, bem no peito do delegado. Mas, surpreendentemente, ele sobreviveu.

Dois agentes da Polícia Federal presenciaram o assalto e detiveram o autor dos disparos, Gidivã Monteiro da Silva, quando ele tentava fugir em direção ao Largo Paissandu.

No calor do momento, o delegado nem se deu conta de que um milagre acabara de acontecer. Apenas cinco horas mais tarde, ao retirar sua carteira do bolso do paletó, ele viu seu emblema amassado pela bala que teria perfurado seu peito rumo ao coração. O emblema metálico salvou a vida de Zubcov.

Na época o fato teve ampla cobertura jornalística, quando matemáticos diziam que a possibilidade de repetição do fato era de uma em um bilhão. Uma emissora de TV japonesa, interessada em fatos inusitados, reconstituiu a história sete anos depois.

Já o bandido não teve a mesma sorte. Foi condenado a sete anos de prisão, fugiu da cadeia e, quando recapturado, passou por novo julgamento e cumpre atualmente uma pena de 19 anos de reclusão.

O distintivo atingido e a bala que poderia ter matado Zubcov foram doados pelo delegado e vão integrar o acervo do Museu da Academia da PF, localizado no Distrito Federal.


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 BEM JUNTINHO DO CORAÇÃO

O vocábulo ‘emblema’ mostrou-se uma escolha perfeita do legislador para denominar o símbolo que representa o Departamento de Polícia Federal (DPF). Essa denominação, com alcance mais amplo que ‘distintivo’, passou a valer em julho de 1966. No ano seguinte, uma portaria estabeleceu que os policiais do DPF seriam identificados pelo uso de uma cédula de identidade e também pelo uso de um emblema metálico.

Foram estabelecidas, ainda, a descrição heráldica, as dimensões e cores, com o campo em ouro e faixas em vermelho nas partes superior e inferior. O conteúdo, ao centro, contém as Armas Nacionais e, no verso, a gravação do número de ordem. Somente em 1989 um decreto federal instituiu oficialmente o emblema representativo da Polícia Federal, condicionando seu uso exclusivamente pela instituição.

Esse decreto, número 98.380, de 9 de novembro de 1989, instituiu o dia 16 de novembro como data comemorativa do DPF. A data remete ao dia em que, no ano de 1964, o Departamento Federal de Segurança Pública (DFSP) passou a atuar em todo o território brasileiro.

Antes disso, o departamento atuava somente no Distrito Federal, embora possuísse atribuição nacional nas polícias aérea, marítima e de fronteira, atividades exercidas pelos estados, por convênio. Portanto, neste ano de 2004, comemora-se o 40º aniversário do DPF.

Para revigorar permanentemente o espírito policial, estão reunidos numa galeria, em cada unidade central e descentralizada da Polícia Federal, a bandeira, o emblema e o hino do DPF, bem como o juramento, preceitos éticos e a Oração do Policial Federal. A galeria é um painel montado em forma de pirâmide, com iluminação direcionada, guardada pelas bandeiras do Brasil, do estado e do departamento.

No topo da pirâmide da galeria, consta a seguinte inscrição:


“A bandeira, o emblema e o hino do DPF; o juramento, os preceitos éticos e a oração do policial federal representam valores que embasam a formação de seu homem de polícia, que se constitui na essência da instituição.”

Como se percebe, o policial federal é considerado a essência da instituição, mesmo porque os quadros dos Valores Éticos e Morais do Policial Federal encontram-se dispostos na base da pirâmide, simbolizando a sua sustentação. Outra demonstração de civismo e patriotismo no DPF trata-se do hasteamento mensal solene de bandeiras, no primeiro dia útil de cada mês.

A tradição do emblema remonta à década de 60, período considerado de grandes mudanças no século que se encerrou. E, para que se forje o amor à instituição e ela se torne inabalável e indestrutível, é imprescindível o culto de suas tradições.

Desde os primórdios da Polícia Federal, seu emblema é parte integrante da Carteira de Identidade Funcional, quer inicialmente na forma impressa, quer atualmente na forma metálica. Ao receber esse “troféu”, passamos a nos identificar com o órgão, por encontrarmos a verdadeira vocação profissional. Lembremos, “muitos o querem, mas poucos são os escolhidos” (Mateus 22,14). O vencedor de uma disputa exibe sua taça num lugar de destaque. Do policial federal espera-se esse mesmo tratamento, ostentando o seu troféu acondicionado junto ao peito, de preferência bem juntinho do coração.

 

José Francisco Mallmann é delegado de Polícia Federal

 

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