Qual a importância da atividade
de Polícia Marítima exercida pela Polícia Federal? Existem policiais
especializados na área?
Dr. Dottori:
A
atividade de Polícia Marítima é tratada como um tema estratégico em
praticamente todos os países desenvolvidos do mundo, sendo lamentável ter
sido relegada a segundo plano durante várias décadas no Brasil que dispõe de
uma enorme costa repleta de riquezas incalculáveis. A grande verdade é que,
apesar de sermos um país com um dos litorais mais invejáveis do mundo, não
temos tradições marítimas fortes. Os portos ainda são vistos pela população
em geral de forma distorcida como locais indesejáveis, não lhes sendo
conferida a real importância que têm para a nação.
O artigo 144 da Constituição Federal estabelece que
compete a Polícia Federal o exercício da atividade de polícia marítima.
Durante muito tempo esta atividade só existiu de direito e não de fato, em
virtude da absoluta carência de meios do DPF para exercê-la, limitando-se
tão somente ao controle de imigração nos portos, que apesar de ser atividade
de suma importância é apenas uma das muitas vertentes que pode ser exercida
por um serviço de polícia marítima.
Manter
nossas costas e áreas portuárias livres de ameaças, coibindo de maneira
sistemática, planejada e perene as atividades ilícitas que se desenvolvem em
tais meios, é condição sine qua non para a manutenção de nosso
comércio exterior e para a exploração sustentada de nossos mares.
Quanto à formação dos efetivos dos NEPOMs, hoje ela é
realizada em parte pela Marinha do Brasil através do Curso de Tripulante de
Embarcação do Serviço Público, em parte dentro do próprio DPF, através do
NEPOM do Rio de Janeiro, aproveitando-se de sua estrutura, experiência e
equipamentos. Sobre o ingresso no serviço, estuda-se hoje a possibilidade de
realização de concursos internos, a exemplo do que ocorre no COT ou na CAOP,
exigindo-se requisitos mínimos para trabalhar nesta área.
Também se encontra em fase de estudos no âmbito do DPF, a
proposta de criação de um Centro de Instrução e Aperfeiçoamento de Polícia
Marítima, que permitiria ao próprio DPF formar e treinar seus efetivos,
tanto na condução de embarcações quanto nas atividades de mergulho
profissional e procedimentos especiais marítimos.
É
de salientar que policiais com qualificações específicas, como ex-oficiais
de marinha, engenheiros navais, mecânicos, mergulhadores, etc, são
normalmente cooptados para o serviço, porém qualquer policial que preencha
determinados requisitos de aptidão pode ingressar no NEPOM.
Atualmente devemos contar com aproximadamente 120
policiais federais já devidamente habilitados para o trabalho nos NEPOMs em
todo o País, número este que atende apenas emergencialmente a demanda dos
principais portos, mas que está muito aquém das reais necessidades do
serviço, inclusive, para sua manutenção básica.
Phoenix -
Quantos NEPOMs existem no Brasil atualmente? Qual é a estrutura desses
Núcleos? Que tipo de ações e operações são exercidas por essas unidades?
Dr. Dottori:
Em
funcionamento já temos o NEPOM do Rio de Janeiro (RJ), Santos (SP), Sepetiba
(RJ), Itajaí (SC), Paranaguá (PR), Foz do Iguaçu (PR) e Vitória (ES). No mês
de novembro os NEPOMs de Itaqui, (MA), Fortaleza (CE), Salvador (BA) e Rio
Grande (RS) já estarão totalmente equipados e prontos para serem
oficialmente inaugurados, totalizando onze (11) unidades até o final deste
ano
As fases II e III do projeto, ainda pendentes de
aprovação orçamentária pelo Governo, prevêm a complementação dos demais
portos brasileiros e áreas sensíveis de fronteira, com especial atenção à
região norte e à fronteira oeste do País.
Quanto à estrutura básica dos NEPOMs, hoje é regida pela
Instrução Normativa nº 02/99 – DG que prevê seu funcionamento de forma
ininterrupta através do sistema de plantão 24 hs, tornando possível seu
imediato acionamento em caso de emergência. Também preconiza uma equipe de
apoio logístico e setor de investigação e análise. Todavia, uma nova
Instrução Normativa mais condizente com a atual realidade está prestes a ser
aprovada pela Direção Geral do DPF.
A ação dos NEPOMs é muito vasta, abrange praticamente
tudo que compete ao DPF só que no ambiente aquaviário, marítimo e portuário,
até o limite da zona contígua (24 milhas da costa brasileira), com especial
enfoque para o combate a assaltos armados a navios (pirataria), prevenção e
repressão ao tráfico ilícito de pessoas, animais, armas e entorpecentes, ao
contrabando, aos crimes ambientais e por fim em função do advento do Código
Internacional de Proteção a Navios e Instalações Portuárias – ISPS CODE, o
desencadeamento de ações antiterroristas no meio marítimo-portuário.
Para o desempenho desta última missão, a participação do
Comando de Operações Táticas – COT e da Coordenação de Aviação Operacional –
CAOP junto ao NEPOM é de suma importância, tendo sido comum a realização de
trabalhos conjuntos e treinamentos envolvendo tais setores, que certamente
serão bastante intensificados em decorrência da abertura de novos Núcleos
Especiais de Polícia Marítima. Da mesma forma, a cooperação com outros
organismos estatais para fazer frente a uma ameaça terrorista é crucial e
tem sido facilitada pelo fato da Coordenação das Comissões Estaduais de
Segurança Portuária – CESPORTOS estar a cargo de integrantes do Departamento
de Polícia Federal.
Por não possuir uma estrutura de Delegacia, os NEPOMs
usualmente desempenham suas atividades em cooperação com as demais
Delegacias Especializadas do DPF, apoiando-as com meios e pessoal treinado,
mas dependendo delas quanto a estrutura investigativa e cartorária.
Phoenix -
O que levou à criação de um Grupo de
Trabalho para a implantação do Sistema Nacional de Polícia Marítima? Em que
se constitui esse Sistema?
Dr. Dottori:
O
NEPOM já existe desde 1999, como resposta a pressão exercida sobre o Governo
Brasileiro pela Organização Marítima Internacional – IMO, que atribuía com
propriedade aos portos de Santos e Rio de Janeiro a condição de serem alguns
dos portos mais perigosos do mundo para a navegação mercante. Apesar do
espetacular resultado alcançado pelos NEPOMs do Rio de Janeiro e Santos no
combate a tal prática, o serviço não foi ampliado por falta de recursos. Ao
contrário, com o problema de assaltos a navios controlado pelos NEPOMs, o
setor deixou de ser considerado prioridade, chegando próximo da extinção por
perda de efetivo qualificado e dificuldades de manutenção de toda ordem.
No ano de 2004, sob a égide do "pós 11 de setembro",
entrou em vigor o Código Internacional de Proteção a Navios e Instalações
Portuárias – ISPS CODE que exigiu dos Governos contratantes, dentre eles o
Brasil, a adoção de uma série de políticas e medidas de segurança em seus
portos, incluindo-se aí, a existência de uma célula operacional capaz de
garantir o cumprimento da lei penal e combater as atividades ilícitas nos
portos, dentre elas, o terrorismo.
Vários organismos se habilitaram a desempenhar tal
função, tendo o DPF sido o escolhido pelo Gabinete de Segurança
Institucional da Presidência da República não apenas por ser uma atividade
constitucionalmente atribuída a sua alçada, mas principalmente por ser o
único com um projeto já efetivamente testado e aprovado nesta área, capaz de
ser rapidamente implementado nos principais portos do Brasil.
Para esta missão foram alocados, por lei especial,
recursos financeiros para que o DPF adquirisse os equipamentos necessários,
o que resultou no final de 2004 em vários processos licitatórios.
A missão de implementação de todo este Sistema foi
atribuída ao Grupo Especial de Trabalho criado pela Portaria nº330/2004 – DG,
que passou a desenvolver este importante trabalho de forma coordenada e
harmônica com as várias Diretorias e Coordenações do DPF, em especial com a
Diretoria de Administração e Logística Policial, que capitaneou todo o
processo.
A estrutura do SINAPOM, conforme sugestão submetida pelo
GET NEPOM à Direção Geral constituir-se-ia de uma Coordenação Especial de
Polícia Marítima – CEPOM, cuja proposta a diferencia das demais Coordenações
existentes por não ser apenas normativa, mas sim pró-ativa, no sentido de
que incumbir-se-ia de prover logisticamente e auditar permanentemente todas
as unidades NEPOM do País, inclusive, atuando como unidade gestora. Tal
prática se impõe em função do alto custo operacional do Sistema e de sua
complexidade técnica. A prática nos tem demonstrado que os setores
administrativos locais sozinhos não possuem recursos ou conhecimentos
especializados necessários à manutenção dos NEPOMs. Neste mesmo diapasão,
foi encaminhada à Diretoria de Gestão de Pessoal sugestão de contratação,
mediante concurso público (quadro de apoio), de profissionais da área de
engenharia naval e mecânica, além de técnicos em mecânica e eletricidade de
embarcações, que possibilitariam que a futura Coordenação viesse a suprir
todo o sistema com uma cadeia logística adequada.
A forma de funcionamento sistemática e padronizada se
justifica pela necessidade de os Núcleos terem de atuar de maneira uniforme
em todos os portos, operando continuamente interligados e apoiando-se
mutuamente, como condição absoluta para o êxito da missão a que se propõem.
Phoenix -
Comente sobre os equipamentos recebidos
pela Polícia Federal para a implantação do SINAPOM.
Dr. Dottori:
A
fase I do projeto foi realizada em tempo recorde para um serviço desta
complexidade e magnitude. Os diversos setores da DLOG e o GET NEPOM tiveram
praticamente apenas quatro meses para desenvolver projetos, especificações
técnicas e processos licitatórios de grande vulto, incluindo-se aí
concorrências internacionais. Tal esforço concentrado, nos permitiu hoje,
contar com equipamentos de última geração, com especial destaque para as
onze lanchas de patrulha costeira SPIRIT 45 PATROL BOAT, com 45 pés de
comprimento e dotadas do que existe de mais moderno no mundo em termos de
navegação eletrônica, acompanhamento de alvos e comunicações. As embarcações
possuem blindagem para fazer frente a munições de calibres pesados, além de
estarem aptas a navegar sob quaisquer condições de tempo encontradas em
nossa costa.
Apesar de muito sofisticadas e de requerem conhecimentos
e cuidados especiais para seu uso, o grande destaque é que sua manutenção
foi bastante facilitada pela exigência do DPF do emprego de motorização
nacional por parte do licitante vencedor, no caso, dois motores SCANIA de
575 HP cada. Além disso, os dois primeiros anos de operação das onze
embarcações estão contratualmente cobertos pelo estaleiro construtor
(Ferretti – Nautical Parts).
As lanchas de patrulha costeira possuem entre outros os
seguintes instrumentos: telefonia via satélite; rádios vhf marítimos,
intercomunicadores de bordo, rádio policial e rádio HF/SSB; radar de busca
de longo alcance, refletores de alta intensidade, sistema de navegação
eletrônica integrado com plotter; piloto automático e eco-sonda digital.
Algumas unidades também estão equipadas com câmeras de longo alcance, com
opção de visão noturna e termal. Todas as lanchas estão preparadas para
empregar armamento pesado, como metralhadoras FN MAG e HK MG 43, que estarão
sendo entregues pela DLOG até janeiro do ano que vem.
Além das lanchas de patrulha, os NEPOMs também foram
contemplados nas áreas de mergulho autônomo e dependente, comunicações,
informática, ferramental, suporte a vida, viaturas especiais, voadeiras de
alta performance para interceptação e patrulha, barcos de apoio, itens de
conforto, material de salvatagem, equipamentos táticos e de inteligência,
entre outros.
Além dos novos materiais, cerca de vinte embarcações já
pertencentes ao acervo do DPF também foram recuperadas e modernizadas com
recursos do projeto, inclusive, em locais onde não foi prevista a instalação
de NEPOMs nesta primeira fase, como Amazonas, Pará e Rondônia.
Phoenix -
Quais os objetivos propostos para o
SINAPOM que já foram alcançados? Existe algum dado estatístico que comprove
a eficiência dos Núcleos de Polícia Marítima?
Dr. Dottori:
Apesar do pouco tempo, da enorme carga de trabalho e das abismais
dificuldades causadas pelo burocracia estatal, vários objetivos foram
alcançados neste primeiro momento de implantação do projeto, destacando-se o
êxito na compra dos equipamentos, a formação e treinamento de policias
federais de vários estados, a elaboração de toda uma doutrina de trabalho, a
criação de normas específicas para o setor, a realização de estudos de
implantação, a celebração de convênios e termos de cooperação, prestações de
conta, etc.
Não podemos também deixar de destacar a vitória que
obtivemos, graças a perseverança e dedicação das Chefias locais quanto a
obtenção de edificações adequadas para a implantação dos NEPOMs nos estados,
uma vez que, os órgãos financeiros do Governo não liberaram quaisquer
recursos para obras de construção ou reforma de instalações.
Neste momento, ainda sem uma coordenação instituída e com
os recursos de custeio contingenciados, os NEPOMs recém inaugurados lutam
para se estruturar adequadamente, criar uma cadeia logística mínima que lhes
permita o funcionamento e para enfrentar a enorme carência de pessoal em uma
atividade que exige um número mínimo de elementos qualificados.
Não obstante, há exemplos que demonstram a viabilidade do
setor, desde abril de 1999 quando o NEPOM do Rio de Janeiro entrou em
funcionamento até a presente data só tivemos uma tentativa de assalto a
navios no porto do Rio de Janeiro (investigação inconclusiva, com suspeita
de tentativa de fraude a seguro). Antes da existência do NEPOM RJ a média
era de três a quatro assaltos a navios por mês na Baía de Guanabara. Tal
eficiência foi, inclusive, responsável pela retirada do porto do Rio de
Janeiro da chamada lista negra da Organização Marítima Internacional e por
importantes elogios da imprensa especializada estrangeira.
A descoberta de uma rota internacional de entorpecentes
utilizando transatlânticos nas temporadas passadas, quando o NEPOM era
responsável por tal fiscalização, resultou em diversas prisões e apreensões
pelos NEPOMs de Santos e Rio de Janeiro. As recentes apreensões de
entorpecentes em embarcações rumando para o exterior pelo NEPOM de Santos /
SP e pela SR / CE, o resgate de pescadores naufragados pelo NEPOM de Itajaí
/ SC, as últimas apreensões de contrabando e embates armados com meliantes
por conta do NEPOM de Foz do Iguaçu, dentre outros fatos relevantes,
demonstram a real necessidade do DPF se fazer presente no ambiente
marítimo-portuário e nas regiões de fronteira molhada que nos separam de
nossos vizinhos sul-americanos.
Outros exemplos que traduzem a validade do setor em
termos de resultados e apreensões foram as várias autuações já realizadas em
trabalhos conjuntos com o IBAMA no combate à pesca predatória, bem como, o
apoio prestado a diversos setores do DPF em todo o País, no tocante à
localização e apreensão de embarcações, fornecimento de informações sobre
movimentação de navios, acompanhamento de cargas suspeitas, etc.
Fora isso, o NEPOM tem apoiado diversos outros órgãos de
fiscalização governamentais, prestado apoio em missões de segurança de
dignitários, realizado varreduras sub-aquáticas e patrulhamento preventivo
quando da visita de navios de guerra estrangeiros, entre outras atividades.
Acredito que somente quando os NEPOMs futuramente
evoluírem para se tornarem Delegacias Especiais, com capacidade
investigativa e cartorária, bem como, passarem a dispor de uma estrutura de
apoio logístico adequada a nível nacional estarão 100% prontos para fazer
frente à demanda que lhes é imposta com a eficiência esperada pela
sociedade.
Phoenix -
Quais são as perspectivas futuras para a
Polícia Federal, na atividade de Polícia Marítima?
Dr. Dottori:
Vários organismos têm demonstrado interesse em atuar nessa área,
visualizando claramente seu enorme potencial. A Receita Federal está
desenvolvendo um plano nacional aduaneiro com a compra de equipamentos
similares aos nossos e pleiteando maior participação no combate ao
terrorismo e atividades ilícitas nos portos. Alguns setores importantes da
Marinha já falam na criação, em breve, de uma Guarda Costeira Brasileira. O
Ministério dos Transportes, por sua vez, tenta aprovar uma lei que
transforma a Guarda Portuária em Polícia Portuária e, finalmente, as
próprias polícias estaduais acenam intervir neste cenário, criando grupos
especiais marítimos e de fronteira. Tudo isso, demonstra a importância e
viabilidade do serviço, além de servir de alerta quanto á necessidade de
cumprirmos com profissionalismo e competência nossas atribuições legais.
Para nos mantermos na vanguarda, além de consolidarmos
nossa posição de forma adequada, necessitamos priorizar a atividade de
polícia marítima, concedendo-lhe principalmente dentro do próprio
Departamento a importância e o tratamento a que faz jus. Usualmente temos
encontrado algumas resistências e críticas ao novo serviço, sob o chavão de
que a Polícia Federal está assumindo mais atribuições do que sua capacidade
permitiria.
Acredito firmemente, por questões de pensamento
estratégico, que não seja de bom alvitre, sob tal pretexto, começarmos a
abrir mão de nossas nobres atribuições como polícia marítima, controle de
imigração, químicos e estrangeiros, controle de segurança privada, de armas
e munições, segurança de dignitários, etc, limitando-nos tão somente ao
exercício da atividade de Polícia Judiciária da União, por maior que seja
sua inquestionável importância. Creio que tais críticas apesar de sinceras
sejam resultado da resistência natural que toda mudança produz e que serão
suplantadas no devido tempo, na medida em que o serviço apresente bons
resultados.
A meu ver, a maior expectativa hoje diz respeito à
consolidação do que está sendo criado neste primeiro ato, o que permitirá,
inclusive, a formação de uma base adequada para a ampliação gradual e
sustentada do sistema, fazendo-nos assumir em definitivo nosso papel de
guardiões da fronteira marítimo-portuária, por onde escoam mais de noventa
por cento das riquezas nacionais.
Por fim, gostaria, em nome dos demais Coordenadores (DPF
Cássio e DPF Carlos Cruz) e membros do Grupo Especial de Trabalho para
implantação do SINAPOM, de deixar consignado nossos agradecimentos pela
confiança e irrestrito apoio outorgados pela Direção Geral do DPF, em
especial pelo Senhor Diretor Geral, Senhor Diretor Executivo e Senhor
Diretor de Administração e Logística Policial, sem os quais não seria
possível a concretização deste trabalho.
Phoenix
- Quando
foi criado o NEPOM de Itajaí? O Núcleo já dispõe dos novos equipamentos
adquiridos recentemente pela Polícia Federal? Quais são esses materiais?
Dr. Takada:
O
NEPOM/Itajaí está instalado e operando, provisoria- mente, no Píer Turístico
da cidade e dispõe de 04 viaturas, equipamentos de informática, de
investigação, mergulho, de comunicação, salvatagem e de 1º socorros, bem
como 07 embarcações adquiridas especificamente para atividades de polícia
marítima.
Phoenix
- Quais
são as metas do NEPOM de Itajaí para os próximos anos?
Dr. Takada:
O
Núcleo catarinense pretende construir e se instalar em sede própria e
adequada, até o final do ano de 2006, agregando ao quadro de pessoal,
durante o período, ao menos, mais 25 novos policiais, a fim de manter
intenso e rigoroso patrulhamento da zona portuária e costeira da foz do Rio
Itajaí.
Phoenix
- Quais
são as dificuldades no dia-a-dia de um policial especialista em polícia
marítima?
Dr. Takada:
A
maior dificuldade enfrentada pelo policial especialista em polícia marítima,
atualmente, notadamente em Itajaí, é a ausência de normativo que o permita
exercer suas funções, exclusivamente, no NEPOM.
Phoenix
- Cite
alguma operação de sucesso do NEPOM de Itajaí.
Dr.
Takada:
Não houve registro formal,
contudo, a operação que mais envaidece os servidores do Nepom de Itajaí, foi
o salvamento de um pescador artesanal e filho, no Balneário de Barra do
Sul/SC, vitimas que foram de naufrágio, em setembro/2005.
Phoenix
- Sob o
seu ponto de vista, o que poderia ser feito para o aperfeiçoamento da
atividade no Brasil?
Dr. Takada:
Investimento em pessoal através de cursos e treinamentos regulares de
aperfeiçoamento, além, constante aplicação de recursos para
manutenção/conservação de equipamentos e embarcações.
Phoenix
- Todos sabemos que o Porto de Santos é um dos mais importantes do país. O
NEPOM de Santos está preparado para atender à tamanha demanda?
Dr. Viana
- O
NEPOM de Santos está preparado, apesar da grandiosidade do porto de Santos,
contamos com equipamentos de última geração para o policiamento marítimo,
adquiridos recentemente pelo governo brasileiro, com objetivo de adequar os
portos brasileiros às normas do Código Internacional de Proteção a Navios e
Instalações Portuárias – ISPS CODE, contudo, o efetivo policial lotado no
NEPOM de Santos ainda é insuficiente para atender 24 horas ininterruptamente
tamanha demanda, considerando que além do patrulhamento rotineiro,
realizamos a fiscalização do tráfego internacional nos mais de 50 navios que
entram e saem diariamente no porto de Santos, bem como atuamos na repressão
de todos os crimes praticados a bordo dos mais de 60 navios atracados.
Phoenix
- Quais
são as principais ocorrências relacionadas ao policiamento marítimo
verificadas?
Dr. Viana
- Desde
a criação do NEPOM de Santos, em 1999, o número de ocorrências de crimes
praticados contra navios atracados ou fundeados
no
porto de Santos diminuiu sensivelmente, não havendo registro de casos
recentes. Porém ainda verifica-se esporadicamente a ocorrência de furtos
e/ou desvios de mercadorias praticados por pessoas que acessam os navios por
via terrestre e que, disfarçados de trabalhadores, realizam tais delitos.
Também há casos de divergências entre tripulantes e ou trabalhadores avulsos
que resultam em agressões e lesões corporais, casos que também são
prontamente atendidos pelo plantão do NEPOM de Santos.
Phoenix
- Quais
são os outros órgãos públicos que também trabalham no porto? Como é o
relacionamento da Polícia Federal com eles?
Dr. Viana
- Além
da Polícia Federal trabalham no porto, Alfândega do Porto de Santos,
Capitania dos Portos, Vigilância Sanitária, Guarda Portuária, Fiscalização
de Produtos Agro-pecuários do Ministério da Agricultura e Corpo de
Bombeiros. Contamos ainda com o impres-cindível apoio da Justiça Federal e
Ministério Público Federal, da Polícia Militar e da Polícia Civil do Estado
de São Paulo. Com estes órgãos mantemos um excelente relacionamento, onde
todos se auxiliam mutuamente. Cabe destacar que os órgãos de segurança
citados compõem a Comissão Estadual de Segurança Pública nos Portos,
Terminais e Vias Navegáveis – CESPORTOS/SP, órgão que se reúne regularmente
para analisar, propor, executar e fiscalizar as normas de segurança
aplicadas no porto.
Phoenix
- Comente acerca de alguma operação de destaque que tenha sido realizada
pelo NEPOM/Santos.
Dr. Viana
- Em
2001: apreensão de aproximadamente 50kg de cocaína distribuídos em 03 (três)
malas que se encontravam em cabines de um navio de passageiros atracado no
porto de Santos onde foram presas 04 (quatro) pessoas a bordo, as quais
haviam embarcado com a droga na Argentina com destino a Itália e Holanda.
- Em 2004: operação conjunta com o Núcleo de Operações da
DPF/Santos, Polícia Civil, Polícia Militar e Capitania dos Portos, que
resultou na prisão de 07 (sete) indivíduos que estavam reitera-damente
praticando roubo a barcos pesqueiros na Baía de Santos, próximo do canal de
acesso ao porto.
- Em 2005: apoio a policiais da DRE/SP e GOIP/Santos na
apreensão do veleiro "Charlie Bravo" atracado numa marina do Guarujá/SP que
conduzia a bordo 37 (trinta e sete) kg de cocaína, sendo presos 02 (dois)
tripulantes estrangeiros.
Phoenix
- Quais
os objetivos a serem alcançados no combate aos crimes ocorridos no porto de
Santos?
Dr. Viana
-
Nosso objetivo maior é prevenir, para que o crime não aconteça. Porém, se
acontecer, estaremos prontos para reprimir imediatamente, identificando e
encaminhando à justiça os seus autores, proporcionando assim, uma total
segurança aos navios nacionais e estrangeiros que por aqui trafegam bem como
aos demais usuários do porto de Santos.