CIDADANIA


Fundada em 1991, a Associação já atendeu cerca de 7.000 famílias e realiza mais de 1.500 tratamentos por mês. A Laramara surgiu para dar oportunidade de educação a crianças e jovens e compartilhar com as famílias e profissionais as experiências adquiridas na área da deficiência visual.

A Laramara, Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual, foi fundada em 1991 pelo casal Victor e Mara Siaulys, que se uniu a um grupo de profissionais da área de deficiência visual para assim partilhar com as famílias as experiências vividas na educação de sua filha, Lara, cega desde o nascimento. Queriam também oferecer educação com métodos adequados a crianças com deficiência visual.

Atualmente, a Laramara é uma referência no Brasil no auxílio a pessoas com baixa visão e apoio à educação e inclusão de crianças com deficiência visual e múltipla deficiência. É também um centro de propagação de conhecimentos e experiências inovadoras, produtora de materiais pedagógicos, geradora de recursos e tecnologias que objetivam a melhoria da qualidade de vida e inclusão social da pessoa com deficiência visual.

Com uma equipe de mais de 200 funcionários (sendo 25 com deficiência visual) e 150 voluntários, ocupa uma área superior a 8.000 m2. Recebeu diversos prêmios, como o Prêmio Top Social em 2004, em parceria com a Petrobrás, pela distribuição de máquinas braille em todo o país; o Prêmio Comunidade Solidária do Governo Federal em 1996, 97 e 98 pelo trabalho realizado na preparação de jovens para a vida profissional; e o Prêmio Criança da Fundação Abrinq de 1995. Recebe auditoria voluntária da empresa de consultoria Ernest Young.

O termo deficiência visual refere-se à cegueira total e à baixa visão. "A baixa visão, diferentemente da cegueira, não define um quadro único. Temos a baixa visão moderada, grave e profunda", esclarece Mara.

Para diagnosticar, intervir e orientar adequadamente a Associação conta com um sistema organizado de avaliação social e oftalmológica e do desenvolvimento integral da criança. "Com essa sistemática podemos conhecer a família, analisar e identificar o ambiente familiar e a comunidade onde ela vive", explica.

Após esse procedimento, a família recebe orientação específica para o atendimento das necessidades específicas da criança.

Um dos muitos exemplos é o do funcionário Nicomedis (Nino) Carlos Nascimento, 29 anos, que exerce as funções de operação, manutenção e administração do Estúdio de Som que a Associação tem em sua sede. "Aqui no estúdio faço as mesmas atividades que realizava antes de sofrer o acidente que me tornou deficiente. O mais gratificante é que no Estúdio realizo gravação de livros em cd (áudio-vídeo) que ajudam outros deficientes, produzo a gravação dos manuais das consultoras de beleza, auxilio o trabalho de bandas, desenvolvo trabalhos internos da Laramara, faço trilhas para teatro e filmes, entre outras atividades", conta Nascimento.

Outra iniciativa interessante da Associação é a criação de uma casa chamada de Atividades da Vida Diária, que tem como objetivo oferecer um espaço para o deficiente visual desenvolver todas as tarefas que realiza em sua residência. "Como em todo o processo, a presença da família é fundamental nessa etapa. O deficiente vai aprender como agir em determinadas situações e como driblar problemas que enfrenta diariamente em sua casa. Já a família poderá entender melhor as necessidades da pessoa e adaptar de maneira criativa o espaço familiar", orienta a fundadora.

Além dessas ações já citadas, o deficiente encontra na Laramara uma brinquedoteca com brinquedos desenvolvidos manualmente por pais e crianças que contêm fundo educativo, espaço para leitura em braile chamado Cantinho Feliz, atividades aquáticas e motoras, programas de expressão artística. Outra área é a de Tecnologia (Centro de Recursos e Laratec) que oferece um software de voz, o Jaws, que fala todas as funções do micro e permite que a pessoa realize qualquer programa, inclusive navegar pela Internet.

A Associação é pioneira na fabricação de bengalas infantis dobráveis no Brasil. Já vendeu, a um preço 50% inferior ao modelo importado, mais de 2 mil e doou cerca de 830 bengalas. A Laramara também monta e dá assistência técnica da máquina braile, tão eficiente quanto às importadas, mas com um custo mais baixo. "Como a máquina ainda é um equipamento caro para muitos, criamos uma campanha para ajudar famílias carentes. Diversas empresas, prefeituras e indivíduos já doaram os equipamentos para aproximadamente 1.500 pessoas", conta Mara.

 

Além da contribuição de empresas e voluntários, a Laramara conta com o apoio de unidades de negócios como gráfica, agência de publicidade, estúdio de som, auditório e restaurante.

Cada unidade é independente e tem todo o lucro revertido para o trabalho da Instituição.

A professora de Geografia Mara Siaulys nunca havia trabalhado com deficientes visuais até o nascimento prematuro da filha Lara, que teve descolamento de retina e ficou cega. Mara abandonou a profissão para se dedicar à educação da filha, hoje com 27 anos, e desenvolveu brinquedos com objetos simples como latas, guizos, massinhas de modelar e tampinhas para estimular os sentidos de Lara. Anos mais tarde, fez pedagogia com especialização no ensino de crianças cegas na USP e, aliando suas experiências pessoais aos conhecimentos adquiridos, Mara fundou em 1991, ao lado do marido, Victor Siaulys, a Laramara, Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual, com o objetivo de auxiliar crianças com deficiência visual e suas famílias na busca por uma qualidade de vida melhor.

Após escrever algumas obras de apoio aos pais de crianças com deficiência visual, a presidente da Associação está lançando o livro "Brincar para Todos". Direcionado a pais e educadores, a obra ensina a confeccionar 109 brinquedos, traz informações sobre a forma de utilização e a descrição das competências que cada brincadeira desenvolve nas crianças. "É fundamental a interação e participação da criança com deficiência visual na vida familiar, na escola e na comunidade. As brincadeiras propostas no livro estimulam os sentidos do tato, audição, olfato e paladar e o desenvolvimento integral das crianças. Ao serem estimuladas, elas tomam conhecimento do próprio corpo e podem explorar as diversas formas, grandezas e texturas dos objetos", afirma a autora. Além de incentivar a integração das crianças, Mara mostra na prática que é possível diminuir os custos dos brinquedos utilizando objetos que as pessoas têm em casa como meias, lã, potes de plástico, gelatina, biscoito recheado e balas.

Mara SiaulysA obra tem 156 páginas, custa R$ 40,00 e também pode ser adquirida na sede da Laramara, que fica na Rua Conselheiro Brotero, 353, na Barra Funda. Os interessados podem entrar em contato pelo telefone (11) 3660-6400.

 

Mara Siaulys

 

 

A máquina de escrever em braille é fundamental para a inclusão social de 1,5 milhão de deficientes visuais brasileiros, uma vez que possibilita sua alfabetização, educação e preparação para o mercado de trabalho.

Até pouco tempo produzida apenas nos Estados Unidos, ela custava US$ 660 e era vendida no Brasil por cerca de R$ 3.500, o que inviabilizava seu acesso ao deficiente de baixa renda. Com a máquina nacional, o equipamento passará a custar aproximadamente R$ 2 mil.

A fábrica, primeira da América Latina, foi montada pela própria Laramara em suas dependências, no bairro de Campos Elíseos, centro de São Paulo, ocupando 500 metros quadrados. A Associação também firmou parceria com o sistema Federação das Indústrias do Estado de São Paulo e Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Fiesp-Senai) para nacionalizar a produção.

Quem quiser adquirir uma máquina pode entrar em contato com a Laramara pelo telefone (11) 3660-6400 ou e-mail laramara@laramara.org.br

Mais informações no site www.laramara.org.br

 

 


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